UMA MENTALIDADE CORRETA

Por Edson Mesquita

“Tiago, servo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos dispersas entre as nações. Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma” (Tiago 1:1-4).

Tiago, irmão de Jesus, escreveu esta carta aos cristãos judeus que haviam se dispersado por causa da perseguição em Jerusalém, por volta do ano 50 d.C. Ele se apresenta como “servo”; no original grego é “escravo”, que não tem vida própria, não tem direitos, não passa de propriedade alheia. Os propagadores da falsa graça enfatizam apenas que somos filhos de Deus, desprezando o fato de que somos também servos!   

Recentemente li um comentário criticando a expressão “Deus quer lhe usar”, alegando que um pai não cria um filho para “usá-lo”! Tal expressão é um reflexo da teologia açucarada da igreja moderna. A graça nos torna filhos, sim, mas qual filho que, por conta da sua eterna gratidão e amor ao Pai, não se comporta como um servo? Para um filho, o pedido do pai é uma ordem, e ele obedecerá sempre de forma prazerosa, amorosa e voluntária. Jesus “… esvaziou-se a si mesmo, vindo a ser servo…” (Fl 2:7). 

“A prova da sua fé produz perseverança”. O servo sabe que as provações são para forjar sua fé e fazê-lo perseverar, nunca para retroceder! Certa vez, num momento de grande provação, enquanto orava, falei: “Deus, tenho vontade de desistir de tudo. Então, Ele me perguntou: ‘Desistir do quê? Você já não desistiu de tudo quando decidiu me seguir?’”. Então entendi que agora não existe mais do que desistir! “E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros…” – esta é a finalidade das provações e o motivo da alegria. Ela desenvolve o nosso caráter. Os que fogem das provações, fazendo negociações com o pecado e com o mundo para abrandar o sofrimento, nunca amadurecem, tornam-se frágeis e suscetíveis diante das crises e conflitos da vida; são infantis nos relacionamentos, palavras e ações. Portanto, alegre-se com as provações; elas são apenas o meio para chegar ao fim!

Só quem tem mente de servo é que se alegra com as provações, porque seu foco não está na provação em si, mas naquilo que ela vai produzir. Os destinatários da carta estavam sendo perseguidos; nada tinham a favor deles, nem leis, nem justiça, nem direitos humanos… Qual ser humano, em sua perfeita sanidade, vai se alegrar com o sofrimento? Isso seria masoquismo. Trata-se, portanto, de uma alegria e prazer transcendentes, um bem-estar da alma, e não uma satisfação do corpo! 

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